Carmo Braz de Oliveira (Foz do Iguaçu/PR)

Entrevista em 22/01/2020

- Sua obra MOSAICOS DE GELO foi publicada por nós, este é o seu primeiro livro? Como se deu a ideia de publicá-lo?

Mosaicos de Gelo é o meu segundo livro. O primeiro foi "Por Amor" pela Editora Recanto das Letras. Após a publicação do primeiro, apesar de estar muito feliz com o sonho realizado, ainda não estava satisfeito. Pesquisei muito sobre a poesia contemporânea e mudei muito o foco da primeira obra. E graças a qualidade artística e editorial de vocês hoje tenho em mãos Mosaicos de Gelo, que para mim superou o anterior em todos os quesitos.

 

- Qual o objetivo de sua obra e sua importância para o universo literário ou para o assunto que aborda?

Mosaicos de Gelo é um livro com poesias mais reflexivas, sensíveis e mais aprofundadas nas temáticas que aborda.  É político, ideológico, mas também recheado de amor pela vida, pelo mundo. Como não existe literatura neutra, o objetivo de meu livro é claro: uma crítica ferrenha à realidade política brasileira e, diante de tanta violência, preconceito e ódio, semear o amor, a ternura, a paz. Para o universo literário é somar com o universo da poesia contemporânea, com sua metalinguagem, buscando também deixar uma mensagem clara do que penso e sinto como cidadão, professor, homem, filho, etc.

 

- Como é ser escritor hoje em dia?

Ser escritor não é e nunca foi uma tarefa fácil. Hoje claramente há um ataque à cultura em todas as suas formas de manifestação. Mas deixando este debate de lado, ser escritor é fazer um trabalho constante de convencimento e divulgação. O circuito, de concursos, antologias, coletâneas, é amplo. Precisa estar atento, participar e aos poucos, como disse uma colega escritora, ir conquistanto com este trabalho formiguinha e, colhendo os resultados, mas é preciso ter paciência, ser persistente, não desistir. Me sinto satisfeito com os resultaodos que tenho obtido.

- Como sua experiência de vida lhe influencia na escrita? Quais são suas inspirações?

Sempre tive um ambiente de apoio aos estudos à pesquisa, à leitura. Bem como muito politizado. Desde a adolescência me tornei um leitor voraz de clássicos da literatura mundial e nacional (romances) e poesias (gostava muito de Castro Alves, Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto).Sempre fui muito tímido, então era mais fácil escrever, do que dizer o que sentia. Recentemente me sinto  inspirarado em autores como Allen Ginsberg, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Alice Ruiz, Conceição Evaristo, Ferreira Gullar, Thiago de Mello, entre outros.Pesquiso e leio muito, assim não falta inspiração. 

 

- A família e os amigos lhe apoiam nesta empreitada? Qual fator determinante do apoio ou não deles?

A família é meu porto seguro, sempre foi. E tenho ainda muitos amigos, que valorizam e realmente gostam de minhas poesias. Isto me motiva a continuar, a não desistir.

 

- Como você enxerga a questão da leitura e do consumo de livros hoje no Brasil?

A Internet fez com que o consumo de livros, em certa medida, diminuísse, afinal você tem a leitura que desejar em suas mãos em apenas alguns segundos. Mas quando vou à livrarias, elas nunca estão vazias, há ainda um bom público que deseja ter a obra de seu autor preferido em mãos, aquele livro que tem seu personagem predileto para ler quando quiser. Quanto ao incentivo à leitura, faltam projetos que estimulem, especialmente nas escolas, onde se construa um espaço onde a leitura não seja por obrigação, mas livre, resgatando o amor pela fantasia, pelo encanto presentes na literatura.   

 

- Você pretende seguir publicando mais livros? E quais assuntos que gostaria de abordar futuramente?

Com certeza pretendo. Estou inclusive em fase de conclusão de meu terceiro livro. Como sou professor dos anos iniciais do ensino fundamental, pensando nos pequenos para quem leciono e outros, evidentemente, este será de poesias para crianças, cujo título provisório é "Para Tocar as Estrelas". Nele há poesias sobre brincadeiras, escola, amizade, etc. Depois devo voltar a escrever outro como o "Mosaicos de Gelo" e também um livro de contos, todos pela Becalete, espero.

 

- Como você espera que os leitores interpretem sua obra?

Como o próprio nome diz,  como um mosaico, de expressões, sentimentos, reflexões, que eles possam compreender como vejo o mundo, ou como todo o poeta vê o mundo, de uma forma não linear, subjetiva, com um olhar diferente, interpretando a vida, tudo,com uma sensibilidade visível, com movimentos e cores que ultrapassam as palavras, a sintaxe e só pode ser compreendido com a alma. 

 

- Como foi a sua experiência em publicar com Editora Becalete?

Foi excelente. Como escrevi antes, a qualidade editorial e artística, o comprometimento, o respeito ao autor, são claros a todo o momento. Me senti realmente valorizado, passei a efetivamente me sentir um escritor, um poeta. Por isto pretendo continuar escrevendo, produzindo muitos trablahos com esta editora. Só tenho a agradecer.

 

- Deixe aqui um convite de leitura ao seu leitor, falando um pouco de você e sua obra se preferir.

O livro Mosaicos de Gelo quer encantar, fazer sorrir, chorar, refletir, estimular  a imaginação. Possui poesias de resistência, com críticas contra o preconceito, a homofobia, a violência contra a mulher, o feminicídio, etc. Mas também reflete sobre a vida, a educação, a democracia,  a própria poesia, a infância e, evidentemente, a mola motora de todo o poeta, o amor. Gostaria muito de que pudessem ler e me passassem suas apreensões. Convido não apenas à leitura, mas ao debate literário, para crescermos juntos. 

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